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Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre. Não existe meio termo.

10406639_719207268140899_4287598802948687004_nEstou de volta com mais um post de impressões de leitura. Dessa vez de A Guerra dos Tronos, o primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Primeiro vou deixar avisado, eu vou usar os nomes todos em português simplesmente porque eu li pela tradução, apesar de eu ter ficado decepcionado em alguns pontos. A começar pelo título da série e do livro. Em inglês: A Song of Ice and Fire, que seria perfeitamente traduzível para Uma Canção de Gelo e Fogo. Mas não, o editor brasileiro não achou o título original bom o suficiente e decidiu que Crônicas seria melhor que Canção. Aí vem o livro A Game of Thrones, que em tradução simples ficaria… isso Um Jogo de Tronos, ou Jogo dos Tronos. Que inclusive é uma citação dentro do texto. Mas pra variar, alguém achou que o título original não era atrativo o suficiente, e resolveu que Guerra faria mais sentido que Jogo. Enfim, como já estudei tradução eu me ligo nesses aspectos e acho que nenhum efeito cultural ou mercadológico justifica essas alterações grosseiras no título. Mas, para não ficar só criticando a edição brasileira, tenho que confessar que nossa capa é a mais linda de todas. Tudo bem que depois que você entra na série aquelas capas com os símbolos das famílias até são bacanas e tal… mas para quem está passando pela livraria, é inegável que a capa com a arte do francês Marc Simonetti é a que mais cativa. Aliás, pesquisando para fazer essa resenha descobri que ele é também é responsável pelas capas da série A Crônica do Matador do Rei, que são igualmente belas. Enfim, vale a pena comprar as edições com a capa dele, mesmo que pague-se um pouco mais caro. Falando um pouco sobre o livro (tentando não dar spoiler, se é que alguém ainda não leu). A Guerra dos Tronos é uma história de fantasia medieval, que se passa num mundo próprio, com uma história própria, povos próprios, mas que guarda muitas semelhanças “filosóficas” com o nosso mundo. A narrativa começa acompanhando a família Stark, que governa Winterfell, as terras do norte do continente conhecido como Sete Reinos. Aparentemente o verão está chegando ao fim e logo chegará o inverno (neste mundo verão e inverno perduram por anos), e isso é sinal de tempos difíceis. Neste momento agourento sabemos que o braço direito do Rei faleceu, e o soberano chega a Winterfell com uma comitiva para convocar seu velho amigo e governante do norte, Eddard Stark, para ser a nova Mão do Rei. Ao mesmo tempo a esposa de Eddard recebe uma carta de sua irmã (viúva da Mão do Rei) que alega que seu marido foi, na verdade, assassinado. Assim, Eddard vai para a capital para investigar a morte da antiga Mão, mas acaba se envolvendo numa trama muito maior do que esperava. Toda a história é contada do ponto de vista de alguns personagens, porém em terceira pessoa. Entre os personagens que conduzem a narrativa temos Eddard Stark e sua esposa Catelyn Stark, seus filhos Bran, Sansa, Arya e o bastardo Jon (ainda tem o filho Robb, que não assume o foco da narração), além de Tyrion Lannister (anão irmão da rainha) e Daenerys Targaryen, herdeira da antiga família real. Os principais núcleos do enredo podem se dividir em três:

  • Os Sete Reinos – onde se desenrola a investigação sobre a morte da Mão do Rei, assim como os jogos de poder que se expandem a partir da capital Porto Real atingindo diversas regiões do continente (como o Vale de Arryn, Correrrio, Winterfell, etc).
  • A Muralha do Norte – onde acompanhamos o ingresso de Jon Snow para a Patrulha da Noite e somos apresentados a alguns mistérios que se escondem por trás da grande muralha que limita o norte dos Sete Reinos.
  • E o Leste – onde se desenvolve uma história paralela que aos poucos vai se conectando com o o continente, este núcleo desenvolve a ligação de Daenerys Targaryen com o povo dothraki.

A história muito mais complexa que isso, mas dar mais detalhes seria spoiler, então vou parar por aqui. O livro se tornou um grande sucesso depois da estreia da série na HBO, e na minha opinião, infelizmente, ganhou fama pelos motivos errados. Antes de ler a obra todos os comentários que eu lia era a respeito das inúmeras e violentas mortes que os personagens sofrem, no entanto, esse ponto pouco me chamou atenção. Muito mais interessante é notar o cuidado que Martin teve em criar um universo com costumes próprios, termos únicos e personagens bastante vivos. A cada revelação, a cada twist, o leitor acaba se surpreendendo tanto quanto os personagens. É impossível não se envolver emocionalmente. Fui cativado pelos underdogs Jon, Tyrion, Arya e Dany. Jon é um bastardo, e por mais que se destaque, nunca será reconhecido como filho legítimo. Tyrion é um anão, e por isso subestimado e escarnecido, até mesmo pelo pai. Arya é uma menina agitada e corajosa, que despreza os elementos femininos e se encanta pelos elementos masculinos, sendo por isso, rejeitada pela irmã e pela tutora. Dany é a sobrevivente do clã que outrora governou os sete reinos, e hoje é subjugada pelo irmão. Todos esses personagens crescem ao longo da narrativa, adquirindo “armas” para conquistar respeito. Uma impressão que tive e até hoje não vi nenhum comentário sobre isso (talvez muitas pessoas também pensem assim, mas eu particularmente nunca vi), é que a obra de Martin não é necessariamente um livro ‘adulto’, como muitas vezes é categorizado. Apesar de apresentar uma trama política complexa, a maior parte dos pontos de vista que acompanhamos é de jovens e adolescentes (com exceção de Eddard, Catelyn e Tyrion, todos os demais “narradores” tem menos de 18 anos). Além disso, esses personagens tratam de temos muito frequentes no universo “jovem-adulto”, especialmente a descoberta da identidade. Vemos muitos deles sendo forçados a amadurecer imediatamente. Concluo dizendo que foi uma leitura que me surpreendeu muito por sua profundidade e complexidade. Ao contrário do que tinha ouvido falar, a grande quantidade de personagens não me confundiu, apesar de eu não ter dado muita atenção para os coadjuvantes. Fiquei curioso para ler a continuação, principalmente por esse primeiro livro ter deixado diversas pontas soltas que não consigo imaginar como serão amarradas. Ps. Por favor, essa capa japonesa maravilhosa? E a dor de lembrar que eu já vi a lombada desse livro quando tava no Japão e nunca dei a mínima atenção… 18j24woiwacf6jpg

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