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Desde que retomei o hábito de leitura eu tenho lido centenas e centenas de páginas semanalmente. Clássicos da literatura, Best-Sellers, Ensaios, Mangás, Graphic Novels, Comics, etc, etc, etc. Inicialmente, para fazer um controle dessas leituras eu criei uma conta no skoob e comecei criar álbuns no meu facebook colocando fotos das capas e escrevendo um pequeno comentário. Mas percebi que isso não é suficiente. Por isso decidi tentar começar outros dois hábitos. O primeiro é de manter um diário de leituras, que não sei se vai dar certo, mas não custa nada tentar. O segundo é de começar a escrever, aqui no blog, resenhas despretensiosas conforme for concluindo as leituras. Há algum tempo eu disse que pretendia fazer isso e acabei abandonando, mas agora quero tentar manter com frequência. Este post então é o primeiro dessa “empreitada”.

Primeiro um breve resumo da minha experiência com Graphic Novels. Em meados de 2012, antes de ir para o Japão, eu comecei a cursar a matéria de Editoração de História em Quadrinhos na ECA. Nessa época também eu já estava pesquisando na área de quadrinhos e passei a conhecer o termo Graphic Novel na matéria de Literatura Comparada, que cursei no primeiro semestre daquele ano. Com isso percebi que meu conhecimento sobre o mercado “ocidental” (no caso principalmente americano) de quadrinhos estava (e ainda está) completamente defasado e resolvi conhecer algumas coisas. Nessa época eu peguei o Sandman e o Livros da Magia. Mas com os preparativos para o intercâmbio eu acabei abandonando as leituras. Agora, quase dois anos depois, com a Fest Comix e os filmes de X-Men, meu interesse pelos quadrinhos “ocidentais” reacendeu. E assim, comecei a ler The Unwritten.

The Unwritten 001 (00)Devido à minha ignorância, à primeira vista pensei “Nossa, esse protagonista é parecido com o protagonista do Livros da Magia, hein?”, até que percebi que o artista de ambas as obras é o mesmo. The Unwritten é uma obra cheia de metalinguagem, que retrata o mundo da criação literária e a invasão da imaginação no mundo real. Inicialmente somos apresentados à Tommy Taylor, um feiticeiro adolescente que luta contra o mal e salva o mundo das mãos do Conde Ambrósio ao lado de seus melhores amigos. Qualquer semelhança com Harry Potter não é mera coincidência. Em poucas páginas descobrimos que na verdade Tommy Taylor é o protagonista de uma série de livros de sucesso e somos apresentados ao “verdadeiro” protagonista de “The Unwritten”, Tom Taylor. Tom é filho do autor desaparecido da famosa série de livros. Do pai, Tom herdou apenas a fama por ter sido a “inspiração” do protagonista dos livros e o conhecimento de diversas curiosidades sobre o universo da literatura, uma vez que toda a sua fortuna está bloqueada. A história começa quando uma polêmica é levantada durante uma coletiva de imprensa e a identidade de Tom é colocada sob suspeita. Então, ele é sequestrado por um fã psicótico da série e é salvo por Lizzy Hexam, a mesma garota que levantou a polêmica sobre sua identidade. A partir disso, Tom começa a investigar sobre sua identidade e se afunda cada vez mais em situações sobrenaturais. Ao longo do primeiro volume percebemos que o mundo fictício escrito por Wilson Taylor é mais real do que se pode imaginar.

A primeira “aventura” de Tom é uma viagem à mansão do pai numa cidade do interior da Suíça. Simultaneamente à trajetória de Taylor, somos apresentados a pequenos flashes de histórias da série de livros Tommy Taylor, assim como a um homem que está perseguindo o Tom real. Na mansão do pai Tom reencontra Lizzy Hexam e começa a descobrir alguns segredos do pai, mas nesse momento acaba um desastre acontece na casa e Tom é levado preso.

inside-manNo volume 2, Tom conhece Savoy, que inicialmente se identifica como um criminoso, mas após tentar salvá-lo, revela-se um repórter contratado para escrever um artigo sobre ele. Na cadeia, Tom acaba mais uma vez se deparando com elementos fantásticos, e novamente uma chacina se inicia. Na fuga eles encontram Lizzy, que se infiltrara na cadeia para resgatar Tom, e os três partem usando a “Maçaneta” encontrada no escritório de Wilson. Eles então vão parar numa espécie de memória da Alemanha nazista, onde acabam percebendo que os perigos que os cercam são muito maiores e mais complexos do que supunham.

Além de cada capítulo começar com um fragmento da história de Tommy Taylor, em ambos os volumes, o capítulo final inteiro consiste de uma história onde Tom não aparece, baseada em alguma obra literária (Moby Dick no volume 1 e Pooh no volume 2) que tem uma relação nebulosa com a história principal.

Enfim, falando um pouco sobre essa experiência de leitura de Graphic Novels: Pra mim, como leitor (e pesquisador na área) de mangás, é impossível não acabar comparando uma coisa com a outra, até para poder entender as particularidades de cada um. Definitivamente a arte de Peter Gross me cativou. Ele faz algumas ilustrações belíssimas, especialmente em quadros grandes e nas capas, mas também é inegável que algumas cenas mais corriqueiras acabam apresentando uma arte mais “fraca”. Ainda sobre a arte, tenho a impressão que ela é muito simbólica e expressiva, em contraste com a linguagem dos mangás que é mais narrativa e dinâmica. Tenho a impressão que Graphic Novel o texto verbal é muito mais fundamental do que ele é no mangá. Está sendo uma experiência diferente e interessante, e por enquanto estou gostando bastante da série. É isso. Volto em breve com outras resenhas de Livros ou Quadrinhos.

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