Bem, quem acompanha as postagens sabe que em meados de setembro desse ano eu resolvi retomar o hábito de leitura por lazer que eu havia engavetado no primeiro ano de faculdade, certo? Bem, vou fazer aqui um levantamento de como foi a experiência, das coisas que li e projeções para 2014.

DSCN2371Bem, comecei a jornada com a releitura de “Yukiguni” (O País das Neves) de Yasunari Kawabata, que era uma das leituras exigidas pela matéria de Literatura Japonesa IV, que cursei esse semestre. Quando li pela primeira vez no ano passado achei cansativo e quando cheguei ao final fiquei com uma péssima impressão de que nada tinha acontecido e que os personagens eram detestáveis. No entanto, essa segunda leitura foi acompanhada de aulas da Lica sensei sobre o estilo do autor, o que fez com que eu pudesse ver a beleza de sua escrita e me senti instigado a ler outras obras suas.

DSCN2373Foi com essa empolgação que eu peguei “Kyoto”, uma das minhas leituras favoritas do ano. Talvez devido à memória afetiva que tenho da cidade, ver suas paisagens e cores retratadas naquelas páginas com tanta sutileza, com uma história protagonizada por uma jovem de personalidade forte, que poderia ter sido heroína de um shoujo mangá. Também por exigência da matéria de Literatura Japonesa me aventurei por alguns dos “Contos da Palma da Mão” (Tanagokoro no Shōsetsu). Li apenas os contos dos primeiros anos (acho que até 1925), tendo me identificado bastante com alguns, menos com outros.

DSCN2377Nesse tempo eu também retomei a leitura do volume 1 de “Durarara”, Light Novel de Ryohgo Narita, que havia começado ainda no Japão. Por estar na língua de origem, foi uma leitura mais demorada, que exigia que eu estivesse com o dicionário em mãos (logo, não dava pra fazer em viagens de ônibus) e eu criei o hábito de copiar num caderno as palavras e expressões que pesquisava para ajudar a internalizar. Enfim, antes de ir pro Japão eu já tinha lido uma tradução desse livro e também já havia assistido o animê, logo foi mais uma experiência de prática da língua e de conhecer o texto original. Foi uma leitura difícil. Algumas cenas de ação eram bastante repetitivas e cansativas, mas eu cheguei ao final com vontade de ler o próximo.

Voltando às traduções, peguei na biblioteca o livro de contos “Sonhos de Dez Noites” do Natsume Souseki. Foi uma leitura curta e interessante, e uma completa “viagem na maionese”. Foi uma tentativa de introduzir na obra do autor e também ler mais sobre um tema que me fascina, que são os sonhos, e posso dizer que a forma dele narrar me agradou bastante.

DSCN2378Minha próxima leitura foi “Tenohira Douwa” (algo como “Contos de Fada da Palma da Mão”) de Yuuko Ohnari. Essa obra é um híbrido de Mangá e E-hon (livro infantil ilustrado) e foi lida para um seminário de Literatura Infantil e Juvenil sobre Mangá. Assim como todo compilado de contos, ela teve seus “altos e baixos”, mas não se pode negar a delicadeza com que a autora narrou cada uma das histórias. Minha favorita foi, definitivamente, “Aki Obake” (“Fantasmas de Outono”) que descreve a sensação de tristeza que acompanha a chegada do outono usando uma metáfora belíssima.

Voltei então a ler Kawabata com “O Som da Montanha”, talvez a leitura mais complicada que fiz dele. Um protagonista idoso, com um plot que não é muito do meu interesse. Mas segui a leitura e não nego que algumas passagens muito bem escritos garantiram o lugar desse livro na minha memória, e que até terminei a leitura com um pouco de simpatia por alguns personagens.

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Concluindo o mês de outubro, li “Beleza e Tristeza” do Kawabata, a pedido da professora de Literatura. Apesar da tradução esquisita (não era uma tradução direta do japonês), o plot desse livro me agradou mais. O contraste de gerações e a questão da vingança desenvolvidos com muita “beleza e tristeza” renderam uma leitura interessante.

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Para começar novembro resolvi entrar na obra de Haruki Murakami, com o Livro 1 de 1Q84. Essa obra recheada de mistério, ficção científica, cultura pop e personagens mundanos me fez devorar cada página. Com capítulos alternando-se entre o foco narrativo dos dois protagonistas era impossível não ficar curioso para saber como aquelas duas histórias com dois pés no absurdo se conectariam e quando isso acontece é fascinante. Vale dizer que me identifiquei mais a personalidade e o plot de Tengo do que com Aomame.

DSCN2460Saindo um pouco da Literatura Japonesa e voltando às “minhas origens”, finalmente coloquei minhas mãos no “Chamado do Cuco”, romance policial que J.K. Rowling publicou sob o pseudônimo de Robert Galbraith. Logo nas primeiras páginas entendi como ela foi desmascarada. Aquela narrativa deliciosa e cheia de um humor confidencial típico de uma exímia contadora de histórias só poderia vir da autora de Harry Potter. Com uma trama envolvente e personagens de personalidade forte, foi responsável por reacender minha paixão pela escrita da J.K.


DSCN2453Para suceder Durarara (nas leituras em língua japonesa), peguei um livro de contos infanto-juvenis de Murakami intitulado “Hajimete no Bungaku” (algo como “Primeira Literatura”). Li metade dos contos do livro, e alguns foram bem marcantes, como “Kagami” (“O Espelho”), um conto de terror envolvendo o tema do Doppleganger. Além desse, outro que me chamou atenção foi “Kobito” (“Povo Pequeno”, como o termo foi traduzido em 1Q84), que deve ter alguma relação com o romance e me lembrou algumas fábulas europeias.

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Meu próximo passo foi em direção à literatura YA, com “Looking for Alaska” do John Green. Apesar dos personagens quase terem me asfixiado com tanta fumaça de cigarro, foi uma leitura deliciosa. Adolescentes fazendo adolescentices e a narrativa bem humorada me fizeram ficar encantado com a escrita do autor. Pra não dar spoiler só digo que John Green tem o péssimo hábito de conquistar o coração dos leitores para depois esmagá-lo com um sarcasmo cruel.

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Resolvi então tomar vergonha na cara e ler Alice’s Adventures in Wonderland. Cheio de trocadilhos, reflexões e humor nonsense, confesso que fiquei um pouco desapontado. Não que o livro seja ruim, mas acho que eu fui em busca de uma daquelas obras infantis cheias de camadas filosóficas, mas não é isso que é Alice. Ela é uma obra infantil e ponto, mesmo que traga lá sua alegoria à sociedade da época. Por fim, só digo que se a obra me desapontou foi mais culpa minha que da do texto.

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Nesse meio tempo fui ao cinema assistir a “Em Chamas” e mais uma vez o filme me instigou a ler o livro (Ah J-law casa comigo sua linda!). E foi nesse momento que descobri o kindle e comecei a ler o livro auxiliado pela função de dicionário da tablet. Diferente do desanimo que me atacou enquanto eu lia o primeiro livro, “Catching Fire” me prendeu do começo ao fim. A trama se desenvolveu de uma forma bem mais interessante e me proporcionou altas viagens de análise.

Na ressaca literária que me abateu após terminar o livro anterior resolvi voltar ao meu autor predileto (J.K. é a segunda, desculpa) e li o conto “O Imortal” de Machado de Assis. A habilidade com que ele constrói a narrativa me fizeram babar e considerar colocar um livro dele na minha fila de leituras.

The Fault in Our StarsMas primeiro, contrariando minha vontade vontade de ler “Paper Towns” do John Green (aquela capa linda, por favor né), peguei “The Fault in Our Stars”, que eu não tava lá muito animado por causa do tema. Contrariando minhas expectativas não era uma história sobre a vida de um casal com câncer,  mas sobre um casal apaixonado, que entre outras coisas, tem câncer. Essa perspectiva menos depressiva me fez me empolgar com o livro. Até o momento que o John Green mostra suas garras e joga uma tragédia. Confesso que desse ponto em diante achei a leitura um pouco mais arrastada, mas isso não me fez deixar de gostar do livro, que contém algumas das frases mais legais que já li em literatura YA.

1984Depois de entrar na obra “1Q84” e pisar no mundo das distopias com “Catching Fire”, era natural que eu acabasse chegando em “1984” de George Orwell. O romance que se alterna entre narrar a revolta de Winston contra a sociedade totalitária que ele percebe ter se instalado, e a descrição dessa sociedade. Durante esse “despertar” Winston acaba se apaixonando por Julia e se envolvendo com O’Brien, que ele acredita ser um revolucionário oculto. A conclusão do romance é desilusória e mostra como até o mais determinado dos homens é capaz de se corromper.

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Voltando à literatura japonesa depois de um tempo, comecei as férias lendo “Diário de um velho louco” de Jun’ichiro Tanizaki, autor que estudarei no ano que vem. O mesmo tema do velho atraído pela nora de “O Som da Montanha”, porém, enquanto na obra de Kawabata a nora era retratada de uma forma romântica idealizada, aqui temos uma nora gananciosa e dominadora, enquanto o velho é masoquista e decadente. É interessante ver que há duas linhas narrativas se desenvolvendo, uma em que é mostrado desenvolvimento do envolvimento entre os dois personagens, e outra em que é mostrada a decadência da saúde do velho. Uma leitura um pouco desagradável, mas interessantíssima.

DSCN2492Desde o começo do mês de dezembro eu vinha lendo em paralelo a todos esses livros, o “Morte Súbita” da J.K. Rowling. Eu já havia lido a primeira parte (das sete) do livro num pdf em inglês, mas na época, sem a função do dicionário que facilita a busca de um ou outro vocabulário, fiquei um pouco cansado e larguei a leitura. Dessa vez, em português, foi muito mais fácil identificar aquela gama enorme de personagens e mais uma vez me deliciei com a construção de narrativa dessa mulher. Esse livro tem personagens e temas bem mais complexos que os do Chamado do Cuco e me agradaram tanto ou até mais que ele. Um verdadeiro laboratório social. Eu fiz aqui um rascunho de resenha que, se me der na telha, vou concluir e publicar aqui no blog.

memorias-postumas-bras-cubasFinalizando o ano, li “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (lembram que ler o conto do Machado tinha me empolgado?). Apesar da linguagem rebuscada que dificulta um pouco a leitura, esse livro aumentou ainda mais meu fascínio pelo “bruxo”. A narrativa de Brás Cubas, que ora trata de narrar acontecimentos de sua vida, como as relações com mulheres, a família, a política e o amigo Quincas Borba, e ora trás reflexões do morto, é constituída de inúmeras intertextualidades e trás frases para levar para vida.



DSCN2472Enfim, esse post se alongou mais do que eu previa. Queria ainda falar com os mesmos detalhes dos mangás que li, mas apenas citarei: Sandland (Toriyama Akira), Shingeki no Kyojin (Isayama Hajime) , Monster (Urasawa Naoki) pq demorei tanto pra conhecer?, alguns volumes de Air Gear (Oh Great!) publicados enquanto eu tava no Japão, o primeiro volume de Pokemon Adventures (Kusaka Hidenori), Mario (one-shot de Kishimoto Masashi), finalizei a “re”leitura (iniciada no Japão) de Fullmetal Alchemist (Arakawa Hiromu) -dessa vez em japonês-  e iniciei a releitura de Death Note.
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Além disso, estou com dois livros com a leitura já iniciada. Um deles é After Dark (Haruki Murakami), que é minha “leitura em japonês” do momento. O outro é The Wonderful Wizard of Oz, que comecei a ler porque era a única coisa que tinha acessível no kindle do celular quando estava entediado numa festa de aniversário.
Minha lista de próximas leituras é gigante, e deve ser estender até 2015, mas de imediato lerei Confissões de uma Máscara (Yukio Mishima), Mokingjay (último da trilogia Jogos Vorazes), os volumes 2 e 3 de 1Q84, Amor Insensato (Tanizaki), Terras Metálicas (Renato Nonato), A Corte do Ar (Stephen Hunt), A Gangue Escarlate de Asakusa (Kawabata) e vou tentar dar uma olhada em obras do Neil Gaiman e ler alguns contos do Machado, Kawabata e da Antologia organizada pelo Jorge Luis Borges.
Também vou começar pra valer a ler o mangá de Rurouni Kenshin, que tenho completo e provavelmente Nurarihyon no Mago. Ah meu deus quanta coisa!!!!!!

Pra quem está com saudades dos meus contos, tem um em processo de produção, me aguardem.
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