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E aí gente… Já fazem mais de 6 meses que eu comecei este blog, e estou aqui para escrever mais um dos meus “Fragmentos“. Aliás, falando um pouco sobre o blog em si (porque o post vai ser meio curto, então to enchendo linguiça), algumas pessoas do “universo Otaku” podem ter notado, mas esse “Fragmento”, que uso como título dos meus posts comuns, onde conto sobre a vida cotidiana sem necessariamente ter um tema específico, faz referência (pra mim) a duas séries que eu gosto muito. Uma delas é Inuyasha, que é basicamente a história de um grupo de pessoas recolhendo os “Fragmentos da Jóia de 4 almas”. Aliás, eu estou lendo Inuyasha desesperadamente no mês de fevereiro, porque neste mês eu tenho passe livre pro museu do mangá, então eu vou lá pelo menos umas 3 vezes por semana e tento ler o máximo que consigo… Espero que até o final do mês eu consiga pelo menos chegar perto do final. A outra série a que a palavra faz referência é a minha amada (e pra quem já se deu ao trabalho de dar uma olhada no meu top de favoritos no myanimelist – http://myanimelist.net/profile/Daisuke_Mitsuru – pode ver que está no meu top 5 de mangás) Tsubasa Reservoir Chronicle. Nessa série, o genial grupo Clamp reúne alguns de seus clássicos personagens (ou versões deles de outras dimensões) com uma gama de novos personagens e os coloca para viajar entre as diferentes dimensões em busca dos Fragmentos da memória da Princesa Sakura. Por que estou falando tudo isso? Para que vocês tenham a ideia de que esse blog não tem o objetivo de serem simplesmente um diário de viagem, ou um guia de como viver no Japão, ou uma propaganda ao “Otaku Way of Life”… figurativamente, eu recolho aqui os Fragmentos dessa vida/viagem, é uma jornada de busca, e não de realização. E o que você tem a ver com isso? Nada, só to falando porque deu vontade, to meio literário hoje.DSCF1363

Como vocês perceberam pelo título deste fragmento, o assunto que tenho pra falar  hoje são os estudos. O meu primeiro semestre aqui acabou há quase um mês já, e eu estava esperando eu receber minhas notas direitinho pra fazer um balanço do semestre. Mas eu não sei quando ou se vou receber as notas, então vou fazer considerações gerais sobre o curso e os estudos em geral aqui no Japão. Vou começar explicando mais uma vez alguns detalhes desse intercâmbio porque muito gente vem me perguntar coisas no facebook e eu meio que to cansado de responder 1000 vezes a mesma coisa, então lá vai o meu FAQ:
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1 – O meu intercâmbio para o Japão NÃO TEM NADA A VER COM A USP. A bolsa MEXT é oferecida para o mundo todo pelo Ministério da Educação Japonês (não é só da educação, mas estou com preguiça de procurar detalhes) e os candidatos são selecionados pelo Consulado do Japão (no meu caso o de São Paulo). Especificamente a bolsa que eu peguei era oferecida para alunos que cursam Língua Japonesa na Universidade, portanto a única relação da minha bolsa com a USP é o fato de eu cursar Língua Japonesa na Faculdade de Letras da USP. Portanto parem de cultivar e espalhar a informação de que “Eu vim para o Japão pela USP”, eu vim para o Japão pelo Consulado do Japão em São Paulo, através da bolsa oferecida pelo Ministério da Educação Japonês, ESTAMOS ENTENDIDOS?

DSCF20572 – Aqui no Japão eu estou estudando no Curso Intensivo de Língua Japonês, do Study in Kyoto Program, da Universidade Ritsumeikan. Então eu NÃO tenho aula junto com outros japoneses. Esse curso é voltado para intercambistas que querem aprender língua japonesa. Como estou aqui por bolsa eu não pago pelo curso (assim como não paguei pela passagem do avião, e recebo uma bolsa para sobreviver), portanto eu não sei o preço.
Neste programa dezenas de estudantes do mundo todo são categorizados em 7 níveis. De A a F + o nível chamado Seiki. Resumindo, o nível F começa a ensinar desde hiragana e estrutura frasal básica e o A é para pessoas que (em geral) já foram aprovadas no N2 do Exame de Proficiência de Língua Japonesa (ou seja, tem conhecimento de nível intermediário pra cima). O Seiki, por fim, é voltado para alunos que já tem conhecimento “avançado” e eles cursam aulas junto com os estudantes japoneses. Cada nível corresponde a um curso de 1 semestre. Eu fui classificado para o nível C no semestre passado, ou seja, eu não sou o fodão do japonês, eu só fui esforçado, aplicado nos estudos, demonstrei dedicação e interesse durante as aulas e fui inteligente ao escolher uma universidade que aceitava até gente que não sabia nada de japonêsDSCF1076Então também não fiquem com a impressão de que porque eu vim pro Japão eu sou super foda e leio qualquer kanji, calma lá… nível C pode ser considerado pré-intermediário, ok? Teoricamente eu vou para o nível B no próximo semestre, que começa dia 1 de abril (queria tanto que isso fosse mentira), mas pra isso eu preciso fazer a prova e espero que tenha um desempenho suficiente pra isso ^-^.

DSCF27453 – Como eu já disse ali em cima eu estou “sobrevivendo” de bolsa, então se vocês vêm que eu comprei mangá, light novel, PSP, e Nintendo 3DS não é porque eu to cagando dinheiro, é porque eu to administrando muito bem o meu dinheiro. Também não quer dizer que o Japão é o paraíso das compras e que você compra jogo de videogame como quem compra caixa de chocolate no supermercado. Você tem que saber ser paciente, pesquisar preço… Em geral as lojas no Japão tem uma estratégia de colocar diferentes produtos em promoção diariamente, para atrair a clientela, aí que, se você for na mesma loja todo dia, uma hora ou outra aquele produto que você quer vai estar com um preço bom. E em geral tem muito produto usado em excelente estado, então grande parte das coisas que eu tenho comprado aqui são usadas (TODOS os meus mangás são usados, e eu paguei cerca de 2 reais em cada volume – em condições melhores do que os que saem da prensa das JBC e Panini da vida), são pouquíssimos casos que optei pelo produto novo, porque o desconto no usado não valia tanto a pena assim. E se querem me pedir coisa, não esperem que eu vá decidir o que comprar, porque assim como o dinheiro será do seu bolso, a decisão que saia da sua cabeça. Eu mal tenho tempo de pensar em procurar coisas pra mim, não dá pra ficar me preocupando em descobrir coisas para “agradar” aos outros. E também já pense em como vou enviar e como você vai me mandar o dinheiro, porque eu não tenho tempo nem cabeça de ficar correndo atrás de informações. Aliás, se bobear vale mais a pena pra você comprar na amazon japan do que contar comigo, fik dik.

Dito tudo isso, vou voltar para os estudos. O semestre começou no finalzinho de setembro, minha classe contava com 16 alunos das mais variadas nacionalidades. O curso do nível C é composto de 3 matérias: Compreensão, Fala e Áudio, e Escrita.
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A matéria de Compreensão contemplava 5 aulas semanais, com 4 professores diferentes, e tratava basicamente de ensinar estruturas gramaticais e vocabulário/kanji equivalente ao conteúdo do N2 – utilizando como material didático o livro New Approach Japanese Intermediate Course. Neste curso tínhamos uma mini-prova ao final de cada capítulo do livro (ou seja, a cada 3 aulas), onde era testado o nosso conhecimento do vocabulário básico, lista de kanji e gramática do capítulo encerrado. Além disso tínhamos dever de casa moderado e duas grandes provas, que cobravam o conteúdo de cada uma das metades do livro didático. Algumas aulas especiais foram inseridas no meio do semestre, como aulas em que
DSCF1104 estudantes japoneses voluntários vinham para a nossa sala e o professor gerava conversas entre nós; ou aulas em que fomos ensinados Expressões de Tratamento, ou uma pincelada em Literatura. Particularmente o professor Hirai Kazuki sempre incrementava suas aulas com temas interessantes, que apesar de sair um pouco do conteúdo, tornava as aulas mais divertidas e menos maçantes.
Fala e Áudio ocorria duas vezes na semana, com a mesma professora, com o intuito de desenvolver nossa compreensão auditiva através do livro de exercícios (com CD): Speaking Skills Learned through Listening – Japanese Live 2. O material também explora expressões e formas da fala, por isso aprendemos alguns tipos de construção frasal que não se aprende num curso de “gramática”, mas que são usados no cotidiano. (OBS. Eu coloquei os títulos dos livros em inglês por preguiça de escrever os nomes em Japonês, mas o NAJ é completamente escrito em Japonês, e o JL2 é todo em japonês com pequenos boxes onde os enunciados são traduzidos para Inglês, Chinês, Coreano e Português *-*). Nessa matéria também tínhamos uma mini-prova ao final de cada capítulo, mas estes tomavam cerca de um mês, pois as aulas continham diversos materiais suplementares, que tornavam o conteúdo mais rico. No meio do semestre também tivemos uma grande prova cobrando o conteúdo de até então, e além disso fizemos diversas apresentações orais, que contavam para determinar o nosso desempenho. É curioso que no primeiro dia de aula fizemos uma prova de áudio do N3 e fizemos outra no último dia de aula, e o fato da nota de melhorado fez com que eu ficasse satisfeito com o progresso do semestre.
DSCF2092Por fim, em Escrita fizemos um “intensivo”, aprendendo/revisando uma lista de cerca de 300 kanji (dos níveis N3 e N2) que esperava-se que soubéssemos nas aulas desse nível. Além de termos sido apresentados a “técnicas” de escrita acadêmica em Língua Japonesa. Basicamente fomos ensinados algumas regras de escrita e fomos colocados para compreender o uso da gramática na escrita (que possui regras diferentes da fala). Particularmente minha matéria predileta. Nessa matéria fizemos duas grandes provas e algumas redações (2 ou 3). As provas cobravam os kanjis trabalhados até então e as técnicas de escrita vistas em aula. A segunda ainda pedia para que escrevêssemos uma redação, onde acabamos sendo testados sobre todas as técnicas de escrita estudadas até então.

Num balanço geral eu estou muito contente com o curso e a estadia no Japão. Desde que cheguei aqui tenho praticado a leitura de mangás e livros e tenho notado um progresso satisfatório. Na fala, por outro lado, eu não notei tanta diferença. Uma vez que tenho aula separado dos nativos, meu contato com eles acaba sendo bem menor, o que faz com que eu não utilize a língua tão efetivamente quanto eu gostaria. Mas no final do semestre, enquanto conversava com uma amiga japonesa, que nos auxiliou na nossa chegada com a burocracia de documentos, me disse que minha conversação melhorou consideravelmente desde o dia que cheguei, então acabei ficando feliz…. apesar de eu não conseguir notar DSCF1792tal melhora (aliás outra evidência foi que eu fui no cinema no meus primeiros meses aqui, assistir Rurouni Kenshin e apesar de ter compreendido o suficiente do filme, achei que faltou muito… Por outro lado, semana passada eu fui assistir One Piece Z no cinema e tive a sensação de ter entendido muito mais do filme. Não sei se por ser um animê de mais porrada e piada seja mais fácil, ou se realmente eu melhorei minha capacidade de compreensão). Agora estou de férias, mas tenho que estudar para essa prova classificatória do próximo semestre (vê se pode), então estou aqui nesse sofrimento de não conseguir me concentrar e revisão e tudo mais… ai ai ai

É isso, eu achei que esse post ia ficar curtinho, mas acabou rendendo bastante. Espero que tenha sido de alguma ajuda pras pessoas que tem interesse em vir para o Japão, e que quem acompanha o blog só por minha causa não tenha ficado tão entediado com todo esse monte de informação.Vou deixar aqui embaixo o link do vídeo que eu fiz comentando o filme do One Piece (eu sei que não tem nada a ver com o tópico, mas eu ainda não postei no blog

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