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Já quero avisar nesse primeiro parágrafo que este post não falará sobre nenhuma aventura no Japão ou qualquer coisa do tipo. Esse texto foi motivado por uma intensa saudade que senti de repente dos meus dias de “Trickster”, então ele será uma pequena retrospectiva de alguns momentos da minha vida que tem a ver com esse grupo. Ele passará desde o estágio prévio, que foi a minha entrada no mundo otaku e consequentemente no J-pop até o estado póstumo (e a possível ressurreição), passando por coisas paralelas que vivi com os membros desse grupo. Então, quem quer saber mais sobre o Japão, desista desse post, mas quem quer saber mais sobre mim ou já sabe mas quer se deliciar relembrando algumas coisas e descobrindo outras tantas a partir do meu ponto de vista… bem,

“Welcome to nightmare world tonight”

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Se fosse pra eu contar sobre o momento que a semente otaku foi plantada em mim eu teria que fazer sessões de regressão, mas vamos começar aqui para o momento que eu me percebi nesse mundo. Isso remonta dos idos anos de 2003, eu estava na 6ª série e passava Yu-Gi-Oh! na TV. Apesar de até então eu não saber o que é ser um otaku, eu já acompanhava todos os animês que eu podia na TV. Comprar as cartas do Yu-Gi-Oh! na banca de jornal não era suficiente, então eu comecei a comprar umas revistas chamadas “Anime-Do!” que todo mês tinha o Yugi na capa. Entediado porque já tinha lido todos os livros do Harry Potter lançados mais de uma vez resolvi pegar essas revistinhas e ler inteiras enquanto escutava o cd do pokémon no carro do meu pai, na frente da nossa casa de ração em Itu. E nesse momento eu comecei a ter contato com desenhos animados que eu nem sequer sabia que existiam e comecei a ficar fascinado por todo aquele universo que o editor da revista me ensinou ser chamado de “Otaku”. Bem, a febre Yu-Gi-Oh! acabou, mas eu continuei comprando a revista e ficava cada vez mais fascinado por tudo aquilo. A essa altura eu já tinha começado a decorar nomes de animês que nunca tinha visto, comprar e alugar dvds desses desenhos nipônicos e colecionar os famigerados mangás. Mas até então eu só estava pisando em solo Otaku, foi dois anos depois que eu mergulhei de cabeça nesse mundo. No auge da minha oitava série eu tinha o cabelo comprido até o ombro e uma pasta enorme e pesada onde eu acumulava folhas impressas com todas as informações de um animê que eu sequer tinha assistido um capítulo, mas a matéria sobre ele na já mencionada revista me fez procurar desesperadamente por informações em sites e arrumar um jeito de colocar as mãos no próprio. Era uma série pouquíssimo conhecida no Brasil, de um ninja loiro, com uma bandana azul na cabeça e que gosta de mostrar a língua. Depois de alguns meses revirando o site Naruto Project na internet da Biblioteca Municipal de Araçariguama e lendo avidamente as minhas animê-do, eu resolvi tomar uma medida drástica, era hora de ir no meu primeiro evento de animê e conseguir uma bandana pra mim também. Sai desse evento com uma bandana, mangás, dvds e com a imagem de um novo mundo, a que eu certamente pertencia, tudo isso vindo do Anime Friends de 2005. Bem o resto dessa história foi que eu passei a frequentar esses eventos, ler cada vez mais dessas revistas, comprar cada vez mais mangás, frequentar cada vez mais a Liberdade e enfim… me tornar um youkai otaku completo.

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O ano de 2006 começou com uma bomba. Ao ir para a escola de Ensino Médio acabei numa sala onde não tinha nenhum amigo. Mas isso foi rapidamente resolvido quando conheci aquela que se tornaria um dos membros fundadores dos Tricksters, Aline Marafigo. Por sermos os mais “nerds” da sala, logo nos unimos. Ela até então não tinha praticamente nenhum contato com o mundo do entretenimento japonês e era basicamente uma estudiosa e devoradora de livros. Mas como todos os meus amigos e parentes sabem, é praticamente impossível conviver comigo e não se deparar com o universo otaku. Mas a Aline fez mais que isso, ela abraçou esse mundo, e veio viver nele também. Se não me engano tudo começou quando eu estava assistindo Fullmetal Alchemist e estava louco por um cd com aquela maravilhosa trilha sonora. Como eu não tinha internet resolvi pedir pra ela baixar e gravas essas músicas pra mim. Mas eu não esperava que ela fosse ouvir essas músicas. E foi assim que ela entrou para universo otaku na contramão (pelas trilhas sonoras). Nesse tempo eu tinha conhecimento das trilhas sonoras de Naruto, Fullmetal e InuYasha, então comecei a passar finais de semana na casa das minhas madrinhas Dê e Jú, e comecei a escutar radios online de música de animê e baixar tudo que via pela frente enquanto trocava músicas com a Aline, então minha namorada. Além de músicas de outros animês, também começamos a procurar por outras músicas dos artistas que estavam nas trilhas sonoras já conhecidas. E foi assim que conheci e fiquei viciado em L’arc~en~Ciel, Sowelu e Crystal Kay… artistas que estão entre meus favoritos até hoje. E foi com a Sowelu que eu descobri o prazer do Pop. Com uma voz forte e doce, clipes cheios de fofura e uma pitadinha de sensualidade, músicas dançantes e outras mais românticas e algumas, além de uma beleza fora do comum, a Sowelu completamente nos conquistou. Depois fui subindo na “cadeia alimentar” conhecendo outras artistas pop mais conhecidas (passando – em todas elas – da fase do “ódio-prévio-por-ser-mais-famosa-que-minha-favorita” para a fase do, “ok-vamos-ouvir-o-que-ela-tem-a-dizer” e finalmente me tornando fã) como YUI, Utada, BoA, Ayumi Hamasaki, Namie Amuro e Koda Kumi (nessa ordem). Eu queria me estender e contar detalhadamente como conheci cada uma – porque eu lembro – mas só é importante dizer que quando percebi o Jpop tinha se sobressaído ao Jrock e as Anime Songs na minha lista de reprodução.
222208_166806810047617_1966723_nParalelamente a isso, vale dizer que eu e a Aline nos aventuramos em vários outros caminhos, começamos a fazer teatro, cosplay, compramos centenas de mangás etc. E chegamos ao decisivo ano de 2007. Órfãos das aulas de teatro com a Tia Ivana precisávamos de algo para nos expressar, e por sermos otakus conhecidos na cidade toda – até porque a gente atravessava a cidade de cosplay em dia de evento e ia pra escola de bandana– , fomos convidados pela diretora da nossa escola a ajudar na organização das festividades dos 100 anos da Imigração Japonesa. Mergulhados o ano todo na cultura japonesa e admirados com o show de luzes e coreografias do Arena Tour 2003-2004 da Ayumi Hamasaki, nossa então artista predileta, resolvemos mostrar àquela cidade que a música japonesa não é aquele som tradicional clichê que todo mundo imaginava e decidimos preparar uma apresentação de Jpop pra agitar aquela noite. E foi assim, com uma semana de ensaio que eu, Aline e Silvia (pois é, você foi uma fundadora dos Tricksters) envergonhamos homenageamos a Ayumi Hamasaki, fazendo um número de expressão corporal ao som de Ourselves e um número de dança com Real Me. Não é preciso dizer que foi uma noite inesquecível, usando alguns conhecimentos de figurino e maquiagem aprendidos com a já mencionada mestra Ivana, a Aline nos comandou como seus robôs (quem não pegou a referência assista ao clipe de Real Me).
Tudo teria acabado ali, se a nossa performance não tivesse tido certa repercussão e não tivéssemos sido convidados para repetir dose no começo do ano seguinte. Com a Silvia ocupada demais para ensaiar, foi a vez do meu melhor amigo de longa data, Felipinho integrar o grupo. Com sua flexibilidade e humor vazando pelos poros, ele adaptou-se facilmente ao grupo e com esse trio fizemos mais uma performance. Com essa segunda performance surgiu a nossa vontade de continuar com o grupo. As nossas diferentes concepções artísticas geraram diversos atritos entre mim e a Aline. Nesse momento eu havia me aberto para o Pop ocidental, enquanto ela ainda oferecia uma resistência em aceitar uma artista que faz playback como a Britney Spears da mesma forma como ela aceitava grandes talentos como Ayu, BoA, Koda, etc. A inconstância do senhor Felipe Augusto, fez com quem pensássemos em expandir horizontes. E com pouca confiança e muito apreço por sua cabeleira que a senhorita Fifex, 227951_166807483380883_5460687_n
que já era nossa parceiríssima nos palcos de teatro resolveu tentar superar seus limites e tornou-se nosso novo membro. Agora com a coreografia de Real Me já batida achamos que era hora de procurar algo diferente. Nesse período de busca por coreografia e de ensinamento de Real Me para a Fifi, acabamos conhecendo a sua melhor amiga (da Fifi) Tássia, ou melhor, ela acabou nos conhecendo, porque num dia ela se apresentou, no próximo me falou que tinha uma irmã Otaku depois de cantarolar Blue Bird e no outro dia tava jogando a franja de lado e aprendendo a coreografia de Real Me também.

225604_166807853380846_3126628_nAqui quero fazer uma pausa para lembrar as tardes que eu, Edinho e Léo “invadíamos” uma sala de aula  e trazíamos a Fifi, a Tássia e o Montanha para matar aula brincar de fazer improviso (só pra deixar claro eu estudava de manhã, a tarde era livre). Lembro que foi a Tássia e a Fifex que me apresentaram ao Stand-up  e aos Improváveis e que ficávamos repetindo suas piadas e aprendendo a criar as nossas próprias, criando lembranças de tardes cheias de risadas. Aliás, não tem como esquecer que na véspera da segunda fase da Fuvest eu tava teclando com a Tássia até altas horas da madrugada cantando “Circus”.



225781_166807796714185_3483531_nVoltando ao assunto. Com o passar do tempo o grupo foi criando uma periodicidade e uma identidade. Aumentamos nosso repertório com a minha favorita Put’em Up – Namie Amuro, a enternamente ensaiada Eat You Up – Eat You Up e a improvisada Introduction for Trick – Koda Kumi. E foi justamente essa música, que se tornou a abertura dos nossos “shows” que deu nome ao grupo, Tricksters. O grupo continuou crescendo com a chegada da seriamente hilária Luuh,  a passagem das inseparáveis Kelly e Gih (que era minha namorada nesse época) e a entrada imprevisível do meu mais recente (naquele tempo) melhor amigo Léo. E os ensaios semanais ficando cada vez mais rígido, nossa amizade cada vez mais forte. Novas coreografias vieram. Last Angel – Koda Kumi feat TVXQ, Sexy Girl – Namie Amuro, Mirotic – TVXQ e por último Copy & Paste – BoA. Performamos em diversos eventos na nossa cidade e alguns fora, como a inesquecível apresentação em Ibiúna. O grupo passou por diversos altos e baixos, os membros indo e vindo devido às mudanças no tempo livre de cada um. Até que resolvemos parar por um tempo devido a alguns problemas.

226917_166807526714212_7874840_nKelly, Te Ligam…”

226629_166807500047548_5966122_nNesse hiato foi quando a minha amizade com a senhorita Luana ficou mais forte. Passamos a sair juntos, nos falar todos os dias, discutir animês, mangás e músicas (curioso a maioria dos membros desse grupo tinha nenhum ou quase nenhum contato com o universo otaku antes de me conhecer e de repente estavam todos cantando em japonês). Um dia quando juntou os dois e a Tássia (e a Pri também, mas não vem ao caso), na falta do que fazer resolvemos gravar um vídeo com a coreografia de Put’em Up. E foi a primeira vez que a Luuh atuou como nossa Cameragirl. Alguns meses antes do hiato havíamos gravado um outro vídeo, inicialmente nos quintais do Yazigi São Roque com suas pedras dançantes (onde eu estudava, e posteriormente trabalhei) e como aquele local não tava dando muito certo resolvemos ir pra Brasital, onde o vídeo foi finalmente gravado com sucesso.

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Já em 2011 eu, Aline e Tássia achamos que tava na hora de ressuscitar os Tricksters. Mas a Tássia acabou deixando o grupo, e quem assumiu seu lugar pelo pouquíssimo tempo que tentamos voltar foi a hilária lari-lair-ê-oh-oh-oh Eveline. Isso durou pouquíssimo tempo até que as nossas vidas corridas e desentendimentos colocassem um ponto final no grupo.
222389_166807576714207_6526331_nPorém, nem todo ponto final acaba um texto, alguns são seguidos por uma nova frase ou um novo parágrafo. E é por isso que eu tenho esperança de ainda voltar à atividade com os Tricksters. A Aline já mostrou-se bastante empolgada e todos os membros antigos estão convidados a voltar também, assim como quem ainda não teve a chance de participar deveria vir experimentar essa nova fase dos Tricksters, em que acredito que estamos todos mais maduros e poderemos fazer muita coisa legal, se o tempo nos permitir.

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Com isso eu encerro essa looooooonga história da minha vida. Não com dor no coração pela distância, mas com um sorriso no rosto por reviver todos os momentos felizes que marcaram minha adolescência junto com esses amigos que estarão comigo pela vida toda (todos os nomes mencionados aqui). Foi uma história de muita diversão, muita discussão, muita amizade, muuuuuuuuuitas piadas internas e CANA, MILHO, Casas de Tijolinho a vista, Mercados Abençoados, Hot Dogs da USP Vanda, Pererecas Dissecadas e muito mais. 228011_166806816714283_5410719_nTambém não posso deixar de mencionar pessoas que participaram de tudo isso, como “fãs” ou apoiadores. Como toda a minha família, em especial meu pai que nos transportava, minha mãe que nos alimentava, minha tia emo que nos abrigava quando não tínhamos escola, a Cah-tchutchuca que apesar de eu não ter mencionado no texto todo, esteve comigo na minha vida toda como minha melhor amiga, irmã, companheira e tudo mais (KaKa, não fique com ciúmes porque você também é minha melhor amiga, irmã, companheira e tudo mais), aos pais da Aline, que também nos abrigaram, alimentaram e transportaram, à tia Ivana que a pedra fundamental do meu “desenvolvimento artístico” (e a Aline deve concordar comigo) – e não tão relacionado ao grupo, mas Dê e Jú que além sempre me apoiarem e ajudarem, a Dê é minha cosmaker e a Jú sempre me levou pra tudo quanto é evento. Enfim, vou encerrar esse texto que já está muito longo com uma frase de uma das músicas performada pelos Tricksters:

Party People Bounce
hidari kara migi he
tomaru na Dance

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Party People Bounce
Da Direita para a esquerda
Não pare de dançar
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