DSCF2702Feliz ano novo!! Voltei mais rápido do que o esperado para contar um pouquinho sobre minha experiência com o Ano Novo em Kyoto. Desnecessário falar que a combinação de frio, férias e videogame novo era suficiente para me fazer não querer sair do quarto, que dirá de casa. Mas no fim da bateria do meu psp, eu acabei saindo da toca pra viver minhas desventuras. Primeiro vou falar um pouquinho dos costumes do ano novo japonês que eu EXPERIENCIEI (dei destaque para “experienciei” porque eu não vou falar sobre TODOS os costumes de ano-novo, o wikipedia tá aí pra isso né – mas quem tiver interesse comenta aí e eu respondo, porque eu sou muito legal já fiz um trabalhinho sobre isso no curso de japonês uma vez, então sei algumas coisinhas).

DSCF2690Bem, antes da chegada do ano-novo é comum que se faça o oosouji, que nada mais é que uma limpeza profunda (não confundir com chuca), ou seja, é uma arrumação da casa, tirando toda a sujeira e se livrando de todo o lixo que vai acumulando ao longo do ano, para preparar tudo para receber o ano que virá. Eu também entrei nessa e resolvi dar uma geral no meu quarto e também nos dados do meu laptop. Ou seja, além de encher um saco de lixo com papel de propagandas mil, enchi a lixeira do meu pc com arquivos desnecessário e arrumei tudo direitinho pra eu poder me achar dentro desse universo infinito que eu chamo de laptop. No laptop ainda ficou algumas coisas para serem feitas, mas eu finalmente criei coragem e organizei os dados de TODAS as minhas músicas que ficavam bagunçadas no mediaplayer por terem informações erradas. Agora dá até orgulho da minha coleção de mp3. Quanto ao quarto, depois da limpeza eu pude dar uma enfeitada e organizada e agora está bonito e prático (pronto para receber mais GunPla, mangás e light novels).

Vamos falar um pouco da comida. Eu não comi o “banquete de ano novo” porque eu tava mais preocupado em assistir o Kouhaku Uta Gassen (falarei sobre isso mais pra frente), então minha janta foi um yakisoba feito em meia hora às pressas, mas posso falar das “guloseimas” (essa palavra é tão brega) que achavam-se a venda. O que mais se via era mochi, todos os mercados adicionaram uma prateleira com coisas para o ano novo e incluia basicamente mochi, derivados e acompanhamentos. Então eu comi muito mochi nas últimas semanas, mas o melhor foi o doce que comprei anteontem e ontem no 100 yen… é um doce que por fora tem uma fina camada de mochi, e dentro é um mouse de chocolate que por sua vez tem um morango dentro… é um doce quase orgástico. Eu não tirei foto, primeiro pq ele não aparenta ser tudo isso quando tá embrulhado, e quando desembrulhado não dá pra pensar em outra coisa que não seja devorar aquela delícia enquanto sua mão vai ficando lambuzada de chocolate, morri só de lembrar.
406030_449181011797754_80099136_nBem, eu disse que não comi o banquete porque queria assistir o Kouhaku Uta Gassen, “mas o que diabos é isso?” – você se pergunta… eu te explico. Sabe o “Show da virada”?? Então, não tem nada a ver com isso, não faça uma comparação idiota dessas! Bom, resumindo, o Kouhaku é um programa onde os artistas top das paradas do ano + os cantores de enka mais famosos (juro que não era pra parecer uma piada) são divididos em dois times, onde eles disputam qual deles vencerá. A disputa é basicamente fazer uma performance (tá, eu não sei onde tá a disputa nisso), ou seja, é um show com os artistas mais visados dos mídia. Obviamente eu não poderia perder nem um segundo do começo desse programa, já que que iria abrir o show era ninguém menos do que a poderosa Ayumi Hamasaki. Confesso que eu não esperava muito da Ayu, porque no ano anterior (ou teria sido no outro ano?) ela cantou uma balada quase fúnebre usando um vestido de noiva e mais da metade da plateia parece ter sofrido um efeito jigglypuff (mas tinha sido
uma performance lindíssima de cortar os pulsos e chorar lágrimas de sangue). Eis que esse ano ela resolve cantar um “Medley para o Kouhaku”, pensei “Maravilha, ela vai nos brindar com um pedacinho de cada música dos recentes mini-álbuns”, mas… Eu estava enganado… Quando ela abre a boca começa a sair Dearest! SIM DEAREST, A BALADA MAIS LINDA DA CARREIRA DELA!! prontofalei. Não bastasse ela me deliciar com essa melodia linda num vocal ao vivo quase acapella que me arrepiou até o pelo do pé, o do koo não porque a mamãe não quer, ela troca de roupa em pleno palco e começa a cantar evolution *-* OMG aí eu já morri 10 vezes. E pra completar ela enfia um pedacinho de Surreal (aliás eu acho que ela pensa que evolution e Surreal são uma música só, porque ela não canta essas duas separadas por nada nesse mundo). Passado o encantamento da Ayu começou a vir uma porrada de artistas que não me interessavam tanto assim e outros que me interessavam MUITO. Vou comentar só algumas coisas: Mika Nakashima > a Mika começou a cantar no momento que eu tinha sido intimado a descer para a sala, então eu mal consegui ouvir a voz dela em meio à barulheira do pessoal jantando, tive a impressão que ela tava fazendo muito esforço para cantar e a voz parecia estar sem potência, mas talvez tenha sido só pelo som ambiente mesmo -.-‘ e o cabelo
dela tava muito feio.

154589_493593354024081_1448129640_nKoda Kumi> Alguma dúvida que eu ia falar da pós-gravidez mais gostosa do mundo? Sério, nem a Beyoncé com sua barriga falsa conseguiu voltar a forma tão rápido quanto à Koda Kumi, que barriga sequinha é aquela?? Além da aparência impecável a Koda fez uma performance explêndida de Go To The Top, mostrando pra esse mundo como se canta e dança num palco sem perder a postura (e uma playback básico de apoio no refrão… afinal com um refrão desse eu ia bater nela se ela ficasse preocupada em cantar e deixasse de se acabar na dança… mas os vocais dela estavam impecáveis nas partes sem o playback). YUI> Pra mim, o ápice da noite, Yui subiu no palco com a simplicidade e elegância que só ela tem e nos colocou o Japão em lágrimas com sua maior canção Good-bye days. E ainda colocou uma cereja no bolo, quando a câmera deu um zoom no seu rosto e vimos seus olhos cheios de lágrimas. Acredito que foi o significado de cantar “good-bye days” na apresentação em que ela se despede dos palcos para um hiatus estratégico (eu não sei os motivos para o afastamento da YUI, talvez seja para estudar ou algo assim, mas pra mim ela tá indo pra geladeira devido à queda de popularidade). Kana Nishino> Eu não acompanho a carreira da Kana, mas ela fez uma performance fofa e cativante. Kyary Pamyu Pamyu> A revelação viral do ano (ofuscada no resto do mundo pela bomba gangnam style) subiu ao palco do Kouhaku pra dar o ar de sua bizarrice. Sério, eu adoro o freaky kawaii da Kyary cada vez mais, não consigo imaginar minha vida sem PON!PON!PON! e Fashin Monster. Mas eu poderia perdoar a cara de pau dela de fazer o playback nível Britney Spears (tipo, botar o próprio cd pra tocar), mas como assim ela não colocou PON!PON!PON!, a música que criou a carreira dela na setlist do Kouhaku????? OK, ela não podia deixar o single mais recente de fora, mas que diabos ela tinha que colocar Tsukematsukeru??? Decepção define. AKB48> E por falar em decepção… Japão, me explica porque esse grupo continua nas paradas de sucesso?? Isso não faz sentido nenhum?? Além das músicas chatinhas e repetitivas (sério, você não precisa escutar nem um álbum, se escutar um single já terá a sensação de ter ouvido todas as msks delas), as 48 mina sobe no palco pra fazer playback. JESUS CRISTO! Isso é o ápice do charlatanismo! 48 garotas 1 delas tem que conseguir cantar enquanto faz poses pra lolicon ver!! Elas não tem nem a desculpa de usar auto-tune pra dar efeitos na voz como a Kyary ou as Perfume (que são outro grupo que eu não engulo). É por causa dessas artistas enlatadas, que gravam cd pra mostrar as coxas magrelas de adolescente que o j-pop não é respeitado e o k-pop enlatado, auto-tunico e carregado no playback tá dominando o mundo e o Japão. Porra, Japão, valoriza seus artistas de verdade, que sobem num palco e dão um show (como as que eu mencionei antes) e não esses grupinhos de ninfetas robóticas. ufa… #desabafo. No mais, devo fazer menção honrosa ao Tokyo com suas participações divertidíssimas, e ao Arashi, que apesar de eu ter visto só um pedacinho da performance deles, pude ver que eles mandaram muito bem e merecem liderar as paradas como uma das boybands mais renomadas do Japão.
DSCF2716Isso virou um post sobre o Kouhaku, mas dane-se, lê quem quer voltando ao ano novo… Quando todos os artistas que eu queria ver já tinham se apresentado no Kouhaku, eu superei a preguiça e resolvi sair para o hatsumoude com o Janic, meu amigo e vizinho de quarto. Sem muita noção de pra onde ir acabamos aceitando a primeira recomendação que nos foi dada e lá fomos nós, montados nas nossas fiéis bicicletas, em direção a Shijo, onde fica o Santuário Yasaka. No caminho eu tava ficando preocupado que talvez tivéssemos saído muito cedo, porque as ruas estavam deserta. Chegando no centro da cidade arrumamos um lugar pra estacionar nossas bikes e fomos dar um volta, até finalmente resolvermos seguir a multidão que se dirigia ao Santuário. Eis que no meio do caminho eu me dou conta de que não estou com a chave que trava a bicicleta, ou seja, das duas uma, ou eu perdi a chave, ou eu deixei na bicicleta e minhas chances de ser roubado são grandes. Lá vamos nós, correr de volta para o local onde deixamos as bikes faltando apenas 15 minutos para a meia noite. Deu meia noite no exato momento em que chegamos lá e eu constatei que a bicicleta ainda estava lá, apesar de a chave realmente ter sumido. Começando assim o ano, resolvemos finalmente ir pro santuário, pra nos livrar dessa urucubaca da virada. DSCF2706Depois de ficarmos cerca de duas horas na “fila-multidão” de entrada, finalmente conseguimos entrar e nos deparar com várias barraquinhas vendendo comida, enfeites, inutilidades, e coisas para dar sorte e proteção neste novo ano. Depois de andarmos em círculos tentando ver tudo o que o lugar tinha pra oferecer, até eu escolher algo pra comer, e sermos barrados várias vezes quando tentávamos voltar para algum lugar pelo qual já tínhamos passado; resolvemos voltar para casa por um caminho desconhecido. No caminho acabamos encontrando duas amigas que também moram aqui e todos foram muito gentis em não só me acompanhar andando de volta pra casa (carregando minha bicicleta que estava com a roda da frente travada neh), mas ainda deram um jeitinho pra facilitar o carregar a bicicleta, e lá fomos nós, noite adentro numa caminhada de uma hora falando bobagens. Cansados ainda paramos no McDonalds para comer bobagens e falar ainda mais bobagens e quando nos demos conta já era 5 da manhã. “E aí, voltar pra casa ou ver o primeiro nascer do sol do ano?” A preguiça e o frio venceram e acabamos voltando pra casa, mas não antes de eu contar para o pessoal que o palácio imperial aqui do lado de casa (o qual estávamos passando na frente no momento), é famoso por suas assombrações, e sinistramente tinham duas pessoas muito estranhas bem na entrada do palácio… borramos as calças. No fim das contas eu vi o sol nascer, porque cheguei em casa e fiquei assistindo animê até amanhecer, uhul sou hardcore. E assim comecei 2013, com trapalhadas, um pouco de stress, e um terrorzinho sobrenatural,mas muitos risos, companheirismo e animês.

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-> Pra explicar a geringonça, minha roda dianteira que estava travada foi enganchada no pedal da bicicleta da frente e fomos empurrando as bikes noite adentro. Não fosse isso eu teria que carregar a bicicleta, literalmente.

Por fim, passei o restante dos dias no meu quarto, debaixo de uma boa coberta, assistindo bons animês e estudando quando dava vontade… e agora as férias de inverno chegam ao fim. Segunda-feira volta as aulas para a etapa final desse semestre. Que tudo corra bem ^-^.

PS. As poucas vezes que sai de casa essa semana acabei sendo surpreendido por tímida neve. É fria, molhada e incomoda um pouco, mas não tem como não achar muito lindo. *-*

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