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Resolvi fazer mais um post “COOLtural”, isso porque hoje eu fui ao Museu Internacional do Mangá de Kyoto, e tenho certeza que alguns amiguinhos ficariam muito felizes se eu compartilhasse essa experiência com eles, e claro, fica a recomendação para que vocês elevem os seus cosmos e venham para Kyoto um dia também para ver tudo isso de perto. (Atenção, eu estou a quase dois meses no Japão e por isso já estou acostumado a algumas coisas tipicamente japonesas, por isso vou usar a “numeração” de andares como eles fazem aqui (quando eu falar primeiro andar estarei me referindo ao térreo, segundo andar ao primeiro e assim por diante; pra falar a verdade eu nunca entendi o modo como nós brasileiros contamos os andares e muitas vezes ficava confuso quanto a isso… sério, muito antes de eu sequer imaginar como os japoneses contam os andares)

Bom, eu fui ao Museu do Mangá justamente no momento em que está acontecendo a exposição do Studio Gainax. Pra quem não conhece o estúdio é responsáveis pelas animações de Kare Kano, Gurren Lagann, Medaka Box e…………………. …………………………………………………………………….. ……………………………………………………………………..  …………………………………………………………………….. …………………………………………………………………………………………………………………..

NEON GENESIS EVANGELION PORRAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! 

(Se você se considera Otaku e ainda não assistiu Neon Genesis Evangelion, se mata corra e assista já. É um daqueles animês clássicos que marcaram gerações, depois de Evagelion os animês nunca mais foram os mesmos. É um animê com ação e com conteúdo! Sim, conteúdo inteligente. Você vai bocejar algumas vezes ao longo dos episódios, mas quando terminar, terá valido a pena.)


Vamos por partes. O Museu do Mangá fica localizado na área central (um pouco ao norte) de Kyoto, e está instalado num prédio de três andares. A primeira coisa que você precisa saber sobre ele é que em cada um desses andares todas as paredes dos corredores são chamadas Wall of Manga… é isso mesmo que vocês estão pensando, as paredes são forradas de prateleiras de mangás disponíveis para leitura. No primeiro andar (térreo) ficam os shounens, no segundo os shoujos e no terceiro Seinen. Fora isso, logo na entrada há uma loja de goods, um café e a primeira seção do Museu é composta de obras ao redor do mundo. Lá estão disponibilizados mangás traduzidos ao redor do mundo e alguns quadrinhos de outros países como Coréia, China e E.U.A. Só por curiosidade o mangá tem alguns exemplares de mangás publicados no Brasil, o que me deu um pouco de vergonha de ver aqueles meio-tanko horrorosos sendo exibido para todos os japoneses. Entrando um pouco vemos alguns pequenos estandes de caricatura e aplicativos relacionados ao hobby. Logo chegamos à área de workshops. Aqui algumas atividades são realizadas em relação à produção de mangá. Junto à área de workshops localiza-se a porta que dá para o jardim do Museu. Nesse jardim as pessoas deitam na grama para conversar com seus amigos ou ler alguns dos inúmeros exemplares disponíveis para a leitura dentro do Museu. Além disso, o jardim também é habitado pelos Cosplayers (*-*). Que além de terem um grande espaço aberto para fotografar, ainda tem um “palco” onde são realizados desfiles e apresentações.


Chegando ao segundo andar diversas galerias com temas diversificados podem ser visitadas. Entre elas destaco a Galeria da Gainax (ou seja, temporária) onde além de vender diversos produtos das séries da empresa, haviam diversos itens para a exposição, como figurinos (cosplay) de alguns personagens, storyboards de animês, uma linha do tempo das obras realizadas por ela e diversos outros itens de exibição (cds, pôsteres, etc). Outra galeria muito interessante foi uma que exibia desenhos feitos no mundo todo como apelo pela paz. Haviam muitos desenhos bem legais com narrativa e temática muito interessantes. Mais uma vez (juro que não é perseguição) tive um pouco de vergonha do Brasil. Os dois desenhos feitos no Brasil usavam de um senso de humor um pouco “de baixo calão”, sendo um deles uma piada sexual, achei chato. Não que o Brasil fosse o único com desenhos “não tão bons”, mas a gente repara né. Ainda no segundo andar fica a sala mais maravilhosa de todo o museu. A Galeria Principal abriga uma infinidade de obras organizadas cronologicamente, contando a História do Mangá. Além disso diversos há painéis informativos sobre a história e a cultura do mangá no Japão. Infelizmente é proibido tirar fotos nessa galeria, como na maioria das dependências do Museu. Mas é um lugar onde dá pra passar a tarde toda, se o mangá é mais que um hobby, uma paixão pra você (como é pra mim… além de ser meu campo de pesquisa). Por fim, o segundo andar ainda abrigava a área especial do Studio Gainax. Para entrar nessa “atração” era necessário pagar um valor extra ao preço do ingresso (só que eu sem saber direito já comprei o ingresso com esse extra, então fui ver qualéqueera). E sério, minha visão sobre o mercado de animação japonesa mudou completamente. Eu sempre considerei os mangás absolutamente soberano aos animês, até entrar no corredor da Gainax: contendo diversos painéis descrevendo o passo a passo da produção de um animê, com muito bom humor, lógico. Além dos painéis, diversos cenários foram reproduzidos, como a sala de trabalho de um diretor de animação, o estúdio de dublagem. E diversos itens do processo estava disponíveis também, como o material de referência que os animadores usam ou partes do storyboard referentes à etapa do processo descrita naquele painel. Foi uma experiência muito rica, que faz você notar quantas pessoas estão envolvidas na produção daquele episódio nosso de cada dia, e como eles trabalham duro para que possamos exercer o nosso lazer.


Por fim o terceiro andar abriga as salas de pesquisa, que não estão abertas para o público geral, apenas para quem tem a carteirinha do Museu (que eu vou fazer em breve, pois essa sala de pesquisa vai virar minha segunda casa).

 

Resumindo, o Museu Internacional do Mangá de Kyoto é um evento de animê que funciona 6 dias por semana, só que sem a superlotação, sem os posers e com mangás disponíveis para a leitura. Além de atrações realmente atrativas (só faltam os shows. Sem contar que você pode comprar o passe que custa o equivalente a uns 120 reais para entrar no Museu quantas vezes quiser durante um ano.
Enfim, espero que tenham curtido o post e ficado morrendo de vontade de pegar o primeiro voo para o Japão para experimentarem vocês mesmos esse lugar lindo. Confesso que na Galeria Principal enquanto lia alguns painéis algumas lágrimas começavam a se formar nos meus olhos por ver que existe um lugar no mundo, que assim como eu, vê o mangá como uma arte e uma manifestação cultural, e não simplesmente como produto de entretenimento barato e dispensável. Infelizmente os ditos “eruditos” de hoje estão tão intrigados com o passado, que estão perdendo uma rica variedade de cultura surgindo bem diante de seus olhos. Só posso lamentar por eles, e aproveitar ao máximo essa cultura pop que tem tanto a dizer.

 

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